Planejamento
de áreas para pastejo rotacionado.
Patricia
Menezes Santos
Embrapa
Pecuária Sudeste
Marco
Antonio Alvares Balsalobre
Bellman Nutrição Animal e B&N Consultoria
No
pastejo rotacionado, as áreas são divididas em piquetes
que são submetidos a períodos alternados de pastejo e
descanso. A grande vantagem deste método de pastejo é
proporcionar um maior controle sobre o manejo das pastagens. Ele permite
definir quando e por quanto tempo as plantas estarão sujeitas
à desfolha, os pastejos tendem a ser mais uniformes e a eficiência
de pastejo mais elevada.
O primeiro passo para a implantação de um sistema de pastejo
rotacionado deve ser definir os locais dos piquetes e da área
de descanso. Em seguida, deve-se determinar o número de piquetes
necessário e fazer as divisões. O número de piquetes
depende do período de descanso e do período de ocupação
indicados para a forrageira que se está trabalhando, deve ser
calculado de acordo com a seguinte equação:
Número
de piquetes = (período de descanso / período de ocupação)
+ 1
Sendo
assim, quanto menor o período de ocupação para
um mesmo período de descanso maior será a necessidade
de número de piquetes (Tabela 1).
Tabela
1- Necessidade de piquetes para cada período de descanso e para
cada período de ocupação.
| Período
de descanso |
Período
de ocupação |
Número
de piquetes |
| 30 |
1 |
31 |
| 3 |
10 |
| 6 |
6 |
| 35 |
1 |
36 |
| 3 |
13 |
| 6 |
7 |
| 40 |
1 |
41 |
| 3 |
14 |
| 6 |
8 |
A existência de áreas de descanso nas pastagens trás
uma série de vantagens para o sistema como, por exemplo, a possibilidade
de concentrar cochos, bebedouros e sombras em um único local.
A área de descanso deve ser localizada, preferencialmente, no
centro do sistema de pastejo Em algumas situações, no
entanto, é interessante que ela seja colocada ao lado do sistema
(ex: pasto irrigado por pivô central). A energia gasta pelos animais
para ir da área de descanso ao piquete depende da distância
e a declividade do percurso percorrido pelos animais. O comprimento
e as características deste percurso, portanto, irão interferir
na produtividade animal (Tabela 1). De modo geral, a distância
entre o pasto mais distante e a área de descanso deve ser por
volta de 500 m para vacas de leite, e de 1.000 m para gado de corte.
Em áreas com relevo plano, esta distância pode ser maior,
pois o animal irá gastar menos energia para percorrer o percurso
(Tabela 2).
Tabela
2: Efeito da distância e declividade do percurso percorrido pelos
animais sobre a estimativa de ganho de peso e produção
de leite, obtida com o auxílio do Programa de Cornell.
| Declividade
|
Distância
|
| |
500m |
1000m |
2000m |
| |
Ganho
de peso (g/cabeça.dia) |
| 5% |
590 |
560 |
530 |
| 10% |
580 |
550 |
500 |
| 20% |
560 |
530 |
450 |
| |
|
|
|
| |
Produção
de leite (kg/vaca.dia) |
| 5% |
21,4 |
20,9 |
19,7 |
| 10% |
21,2 |
20,5 |
18,9 |
| 20% |
20,9 |
19,7 |
17,3 |
Uma das principais dúvidas com relação à
montagem de áreas de descanso é quanto ao seu dimensionamento.
Uma boa área de descanso deve ter um tamanho tal que permita
a sobrevivência da vegetação que recobre o solo.
Dentre outras vantagens, isso evita o acúmulo de lama, melhorando
o estado sanitário dos animais. No caso de áreas de descanso
localizadas no centro do sistema de pastejo e mais próximas aos
piquetes, pode-se utilizar 30 m2/animal ou menos; já quando a
área de descanso está localizada nas extremidades ou ao
lado do sistema de pastejo, ficando mais distante dos piquetes, a relação
deve ser de 50 m2/animal ou mais. Essa diferença ocorre, pois,
quando a área de descanso fica mais distante, os animais tendem
a freqüentá-la em lotes maiores.
Em uma fazenda, os animais transitam por áreas de circulação
internas e externas aos sistemas de pastejo. As áreas de circulação
externas são aquelas que dão acesso aos sistemas de pastejo
e as internas aquelas que permitem a circulação dos animais
entre os piquetes e a área de descanso. O dimensionamento adequado
das porteiras e corredores das áreas de circulação
ajuda na prevenção de acidentes com os animais.
Para o dimensionamento de corredores e porteiras é preciso considerar-se
o tamanho médio dos lotes de animais e se haverá ou não
transito de máquinas e equipamentos na área. Por exemplo,
em uma área de 100 ha com um lote de 500 UA, pode-se utilizar
corredores de 10 a 15 m e porteiras de 5 a 8 m.
A PLANO AGRADECE OS AUTORES PELA GENTIL COLABORAÇÃO.
SETEMBRO DE 2.004
